CONTEÚDO

NÓS E OS OUTROS! O SUCESSO E A PERPETUAÇÃO DAS EMPRESAS DEPENDEM DA HARMONIA NOS RELACIONAMENTOS INT

A forma e a qualidade das relações interpessoais estabelecidas interna ou externamente constituem fator dominante para a conquista do sucesso e da perpetuação de uma empresa. A afirmação é do consultor de estratégia e revitalização de negócios, Carlos Panosso, diretor da Norte Empresarial Consultoria e Treinamento (Novo Hamburgo / RS). Segundo ele, atritos interferem negativamente nos negócios, em maior ou menor grau. Por outro lado, os resultados sempre são melhores quando existe união. O incentivo aos relacionamentos profissionais harmônicos é, portanto, tarefa e desafio para líderes, mas a paz também depende de iniciativas individuais de cada integrante da equipe.

Ninguém está só no mundo. Uma organização é constituída por um grupo de pessoas, e essas pessoas precisam interagir umas com s outras, tanto para atingir seus propósitos pessoais, quanto os da empresa. “Não basta ter uma grande capacidade técnica específica do ramo de atuação, como ser habilidoso em modelar um calçado, e não desenvolver a capacidade de interagir com os demais”, alerta Panosso.

Da mesma forma que as pessoas não estão sozinhas no mundo, uma empresa não está só no mercado. Através de seus profissionais, ela se relaciona além de suas fronteiras, seja com seus clientes, fornecedores, parceiros e a comunidade em que está inserida. Se o clima não está bem dentro de seus portões, os reflexos podem atingir o lado de fora e prejudicar as negociações.

O consultor afirma que uma organização, por mais estruturada que seja, é incapaz de satisfazer todas as necessidades psicológicas e sociais de seus colaboradores. “Por isso, é imprescindível que ela possa contar com um bom relacionamento entre as pessoas e, assim, evitar frustrações e bloqueios”, ressalta.

O clima organizacional, portanto, deve ser favorável ao desenvolvimento de relações harmônicas. Não basta cumprir a legislação trabalhista. Também é fundamental o cumprimento dos chamados contratos psicológicos, ou seja, as combinações feitas para regulamentar a relação das partes. Panosso afirma que esses contratos psicológicos podem ser modificados “Mas, para isso, deve haver uma nova combinação. É preciso haver comunicação entre os envolvidos. É onde entra a flexibilidade de ambas as partes, necessária às boas relações e em prol de um objetivo maior”, orienta.

LÍDER PRECISA SER HABILIDOSO COM PESSOAS

“A empresa precisa ter sensibilidade para perceber que o clima não está adequado antes que os conflitos comecem a aparecer. Para isso, é preciso monitoramento constante”, avisa o consultor. Por sua vez, o líder precisa estar bem consigo, ter habilidade de trabalhar com pessoas e tranqüilidade de estimular as relações harmoniosas entre seus liderados.

Na visão de Panosso, a principal atitude da liderança deve ser de incentivo a cada indivíduo. Ela precisa buscar uma sinergia entre os colaboradores que potencialize as competências interpessoais. Necessita, ainda, estar atenta, perceber a dinâmica das relações nos diferentes níveis, tanto entre colegas, quanto entre chefias e subordinados. “Mas, acima de tudo, a forma como estabelece e conduz suas relações ainda é o maior incentivador”, garante.

Também é preciso que a organização facilite a administração dos conflitos no caso de eles surgirem. O diálogo entre as partes envolvidas é o recurso mais valioso, e a utilização de um mediador justifica-se quando a busca de conciliação exige naturalidade. “Devemos lembrar aos envolvidos que há um objetivo maior que o dos indivíduos, que é o da organização, e é por ele que deve acontecer o realinhamento”, ressalta.

CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DOS CONFLITOS

Conforme o consultor Carlos Panosso, o surgimento da desarmonia nos relacionamentos interpessoais em uma organização está relacionado à falta de planejamento e de uma formação adequada das lideranças. “Como conseqüência, aparecem diferenças entre expectativas e satisfações, originando cobranças e pressão em excesso e distorções de comportamento”, afirma.

As insatisfações atingem tanto as chefias quanto seus subordinados. Se o funcionário não cumpre as obrigações pelas quais foi contratado, aparece a frustração do chefe que o contratou. Já o empregado que cumpre suas obrigações com esforço e determinação e não é reconhecido também fica descontente. A partir daí, o desgaste e a zona de conflito estão estabelecidos.

Entre as distorções de comportamento que resultam do descontentamento do empregado, o consultor lista a diminuição da predisposição para agir. Ele deixa, por exemplo, de estar disponível para a empresa para ficar além do horário em um momento de extrema necessidade. Ou, então, fica além do horário sem necessidade somente por causa do dinheiro que vai ganhar com a hora extra.

Falatórios ou fofocas, medo de expor idéias abertamente e percepção distorcida do que é ouvido também são conseqüências, assim como alterações, agressividade, disputas de poder e competições. Quanto a diretorias frustradas, o maior risco é o da quebra de sigilo sobre informações estratégicas da empresa.

Em outros casos, o diretor pede demissão e, como vingança, leva consigo toda a carteira de clientes para a concorrência.

Os conflitos de ordem particular podem gerar problemas no ambiente de trabalho e interferir nas relações interpessoais, mesmo que temporariamente. A carga emocional trazida pelo funcionário para dentro da empresa no caso, por exemplo, de um assalto em uma residência tira o equilíbrio padrão da organização. Todo o seu poder pode ser afetado se ele deixa de cumprir com suas tarefas como normalmente o fazia.

O BÊ-Á-BÁ DA HARMONIA

Todo mundo tem seus altos e baixos. Se a pessoa está eufórica, ela chega a vibrar em sintonia tão alta que pode até atrapalhar os colegas. Da mesma forma, quem está vibrando em sintonia muito baixa, puxa os outros para baixo. “O ideal é estar em sintonia com os demais dentro dos limites aceitos da boa convivência”, orienta o consultor. Cabe ao líder incentivar o equilíbrio.

O desempenho dos profissionais também precisa ser administrado. Se um funcionário freqüentemente não cumpre combinações, ele acaba gerando descontentamento junto aos demais e o desempenho de toda a equipe cai. “A pessoa pode errar, pois é da natureza errar, mas ninguém é contratado para se arrastar. Se não há como mudar essa situação através de treinamento, o melhor é tirar a chamada laranja podre do cesto (demitir) para não contaminar as demais”, afirma.

As divergências de opiniões que ocorrem no dia-a-dia de uma empresa não são um mal conforme Panosso. São até saudáveis se forem conduzidas de forma aberta, com transparência e humildade. Porém, é necessária clareza para distinguir a diferença entre colocar argumentações objetivas a respeito de um assunto e adotar uma atitude tipo queda-de-braço para fazer valer uma opinião. “Entrar em um clima competitivo para ver quem tem a razão é improdutivo e desperdiça a riqueza que pode ser construída a partir das diferenças”, destaca.

Saber ouvir também é fundamental para que haja um bom relacionamento interpessoal, pois implica a capacidade de considerar o outro, respeitar suas opiniões e desenvolver a habilidade de não se voltar somente para si próprio. “A troca de informações nesse processo é de suma importância. É onde a comunicação acontece, gerando feedback importante que irá desenvolver o conhecimento, elemento fundamental para o desenvolvimento dos indivíduos e dos negócios”.

Tomar conhecimento das próprias dificuldades a serem superadas é outro passo importante no caminho da harmonia das relações interpessoais. O especialista afirma que essa descoberta exige que o indivíduo tenha capacidade de tolerar a frustração da constatação de que ninguém é perfeito, todos têm falhas e só é possível trabalhar no sentido de superá-las no momento em que elas forem reconhecidas e admitidas. A partir daí, a pessoa estará aberta à busca da educação continuada. “Devemos, todos os dias, pensar no que podemos fazer hoje melhor do que fizemos ontem. Assim, estaremos melhorando a cada dia”, aconselha.

Conforme o consultor, pessoas tímidas, fechadas, inconvenientes, medrosas, preconceituosas e com baixa auto-estima possuem dificuldades no desenvolvimento das relações. Gostar de si mesmo, portanto, é fundamental para o desenvolvimento interpessoal. “Não há como se relacionar bem com os outros se a pessoa não gosta de si mesma, porque ela não motiva os demais, que, conseqüentemente, não gostam dela”.

A empatia é mais uma grande ferramenta que propaga harmonia. Trata-se da capacidade de se colocar no lugar de alguém, de reconhecer e compreendê-lo como outro, como um indivíduo que pensa e age diferente. “As pessoas empáticas têm maior capacidade de lidar com os conflitos e desenvolvem relacionamentos mais saudáveis e mais estáveis”.

Outro excelente feedback é o elogio. Panosso ressalta que o elogio direto, principalmente em público, é um reforço muito grande de aceitação, reconhecimento e valorização. “As pessoas precisam dele, pois ajuda a manter a chama das boas relações e solidifica bons relacionamentos. Quando o empregado só recebe xingamentos, nem um bom salário é o suficiente”, afirma.

Na visão do consultor, uma relação aberta e madura no dia-a-dia é a melhor forma para manter o equilíbrio no ambiente de trabalho. Complementa, no entanto, que reuniões e dinâmicas de grupo bem-conduzidas são muito importantes para elevar a qualidade dos relacionamentos interpessoais e atingir uma melhor integração da equipe de trabalho. “Em alguns casos, quando suas necessidades forem mais complexas, é necessário que a pessoa busque ajuda profissional, ou seja, faça terapia”, orienta.

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